Última Atualização em 26 de maio de 2026
Você abriu os grupos de concurseiros esta semana e a palavra magistratura apareceu em mais de um lugar ao mesmo tempo. Não é coincidência: os novos concursos para juiz estão chegando em 2026 com uma velocidade que surpreende até quem já acompanha o setor há anos. O ciclo de autorizações está em marcha, o ENAM consolidou o filtro de entrada e os tribunais que acumularam déficit de pessoal precisam agir. Quem espera o edital ser publicado para começar a estudar costuma chegar tarde.
Este artigo mapeia os cinco editais de magistratura com maior probabilidade de publicação em 2026, aponta o prazo estimado de cada um e, para cada tribunal, descreve os blocos de lei seca com maior peso histórico nas provas. A ideia é simples: ajudar você a tomar uma decisão informada sobre qual carreira priorizar, com base em critérios concretos, não em achismo.
Por que 2026 concentra tantos novos concursos de magistratura
O ENAM foi instituído justamente para destravar o gargalo que havia entre o número de candidatos habilitados e a oferta de vagas nos tribunais. Com o exame funcionando há quatro edições e uma base crescente de aprovados, os tribunais de justiça passaram a ter mais segurança para abrir seleções sem enfrentar o risco de fila vazia. O resultado prático é uma tendência clara de aceleração de editais no segundo semestre de 2026.
Além disso, o Conselho Nacional de Justiça intensificou a cobrança por reposição de quadros em estados onde o número de juízes por habitante está abaixo da média nacional. Isso cria pressão institucional real. Não é especulação: as resoluções publicadas pelo CNJ em 2024 e 2025 já apontavam nessa direção.
Para candidatos que querem uma análise completa das previsões de editais no setor jurídico como um todo, o artigo sobre concurso jurídico 2026 e a previsão de editais traz um panorama mais amplo. Aqui, o foco é exclusivamente na magistratura.
Os 5 editais de magistratura mais próximos de 2026
A seleção abaixo considera três variáveis: sinalização institucional do tribunal, déficit de pessoal documentado e histórico de periodicidade dos concursos. O prazo estimado é baseado nas informações disponíveis até meados de 2025 e pode sofrer alterações.
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Ler mais →1. TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios)
É o caso mais avançado do grupo. O TJDFT concluiu os estudos internos para abertura de novo concurso, definiu o Cebraspe como banca organizadora e autorizou o preenchimento de 20 vagas imediatas para o cargo de Juiz Substituto. O edital, contudo, não foi publicado no segundo semestre de 2025 como se esperava — o próprio tribunal informou, em fevereiro de 2026, não haver previsão definida de lançamento, com restrições orçamentárias apontadas como principal fator. A expectativa atual é de publicação ao longo de 2026.
Blocos de lei seca com maior peso histórico no TJDFT, pela análise das últimas três edições do concurso:
- Código de Processo Civil (arts. 1º ao 317 e recursos): frequência altíssima, especialmente procedimentos especiais e tutelas de urgência.
- Código Civil (obrigações, contratos e responsabilidade civil): costuma responder por cerca de 15% das questões objetivas.
- Lei Orgânica da Magistratura Nacional (LOMAN): artigos sobre vedações, férias, remoção e vitaliciedade caem com regularidade.
- Constituição Federal (arts. 92 a 126, organização do Poder Judiciário): quase sempre presente.
A banca histórica do TJDFT é o CESPE/CEBRASPE, que explora o texto literal com alterações sutis de sentido. Para quem quer entender o perfil detalhado da banca, o artigo sobre como o Cebraspe atua em concursos jurídicos é uma leitura direta ao ponto.
2. TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo)
O maior tribunal do país realiza concursos com periodicidade bianual. O 192º Concurso para Magistratura do TJSP teve o edital publicado em 2025, com inscrições realizadas entre setembro e outubro daquele ano. O certame oferece 220 vagas para Juiz Substituto — número significativamente maior do que edições anteriores — e está em andamento em 2026, com a segunda fase (provas discursiva e de sentença) realizada em março. A banca organizadora é a Fundação Vunesp.

Blocos prioritários com base nas últimas quatro edições:
- Código Penal e Código de Processo Penal: o TJSP é conhecido por provas penais pesadas, com ênfase em crimes contra a pessoa, tráfico, crimes hediondos e nulidades processuais.
- Código Civil (parte geral, família e sucessões): a banca VUNESP tem histórico de cobrar a literalidade dos artigos de família com bastante rigor.
- Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA): aparece com frequência nas questões objetivas e na prova oral.
- Lei de Execução Penal: quase sempre presente, especialmente artigos sobre regimes, remição e benefícios.
3. TJMG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais)
Minas Gerais publicou novo edital no início de 2026, com 103 vagas para Juiz Substituto — acima das estimativas iniciais, reflexo de um déficit que superava 500 cargos vagos na magistratura. A banca organizadora é o Instituto Consulplan, sob supervisão da EJEF/TJMG. As inscrições foram realizadas entre março e abril de 2026, e a prova objetiva está marcada para junho.
Blocos de lei seca que historicamente pesam mais no TJMG:
- Direito Administrativo (Lei 9.784/99, Lei de Improbidade e Lei de Licitações): Minas costuma cobrar legislação administrativa com profundidade, inclusive as alterações da Lei 14.230/21.
- Direito Constitucional (direitos fundamentais, controle de constitucionalidade): questões densas com referência expressa a dispositivos.
- Código de Processo Civil (cumprimento de sentença, execução, recursos): ênfase em prazos e requisitos literais.
- Lei Complementar 35/79 (LOMAN): artigos sobre deveres e vedações do magistrado.
4. TJRS (Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul)
O TJRS passou por um período de contenção orçamentária após as enchentes de 2024, mas retomou o planejamento de pessoal com concurso previsto para 2026. O certame oferta 30 vagas imediatas para Juiz Substituto. A banca definida pelo tribunal foi a Fundação Getulio Vargas (FGV), contratada por dispensa de licitação — e não o Cebraspe, como indicava o histórico de edições mais antigas.
Destaques da lei seca para o TJRS:
- Direito Civil (posse, propriedade e contratos agrários): dado o perfil econômico do estado, questões fundiárias aparecem com regularidade.
- Código de Processo Civil (tutelas provisórias e execução): recorrente nas três últimas edições.
- Direito do Trabalho e Processo do Trabalho: o TJRS inclui questões de competência trabalhista com mais frequência do que a média nacional.
- Constituição Federal (arts. 5º e 37): presença constante, como em praticamente todos os concursos jurídicos.
5. TJBA (Tribunal de Justiça da Bahia)
O TJBA publicou edital em fevereiro de 2026, com 100 vagas imediatas para Juiz Substituto — volume expressivamente maior do que as estimativas anteriores. A banca organizadora é a Fundação Getulio Vargas (FGV), não o Cebraspe como indicava o histórico recente do tribunal. As inscrições foram realizadas entre março e abril de 2026, com prova objetiva prevista para 24 de maio de 2026.

Blocos de maior incidência histórica:
- Direito Penal (parte especial, crimes contra a administração pública): aparece com regularidade nas questões objetivas.
- Código de Processo Penal (prisões, liberdade provisória e recursos): ênfase nos artigos de natureza processual com impacto prático imediato.
- Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06): presente em praticamente todas as edições, com perguntas sobre medidas protetivas e competência.
- Estatuto da Igualdade Racial: tem aparecido com maior frequência nas últimas provas do TJBA, refletindo o perfil demográfico do estado.
Como decidir qual edital priorizar
Aqui está o ponto que separa quem estuda com estratégia de quem apenas acumula horas de leitura. A escolha do cargo-alvo deve considerar quatro variáveis ao mesmo tempo: prazo até a prova, número de vagas, compatibilidade com a banca e distância entre a sua base atual de lei seca e o que o edital exige.
Se você está começando agora ou tem menos de doze meses de preparação, o TJDFT e o TJMG oferecem editais com perfil de lei seca mais concentrado, o que facilita o planejamento por blocos. Se você já tem base sólida em Penal e Processo Penal, o TJSP e o TJBA são caminhos naturais, porque esses blocos pesam mais lá.
Um ponto de atenção importante: TJRS e TJBA migraram para a FGV como banca organizadora, afastando-se do Cebraspe. Isso muda o perfil das questões — a FGV tende a cobrar mais a literalidade dos dispositivos e tem estilo próprio na formulação dos enunciados. Candidatos que vinham estudando com foco exclusivo no estilo Cebraspe precisam adaptar a preparação.
Para candidatos que já passaram pelo ENAM e querem cruzar a escolha do tribunal com outros critérios estratégicos, o artigo qual tribunal de justiça escolher depois do ENAM detalha os critérios de forma prática.
Vale também pensar no que é exigido antes de chegar na fase da prova. Para magistratura, a atividade jurídica de três anos é requisito em vários tribunais. Se você ainda está estruturando esse histórico, leia o artigo sobre atividade jurídica e os atos que abrem portas na carreira.
O que fazer agora, antes do edital sair
A armadilha clássica é esperar o edital para montar o cronograma. O problema é que, quando o edital sai, o candidato que começou antes já tem dois ou três blocos de lei seca dominados. A diferença de aproveitamento na fase objetiva costuma ser enorme.
Um ponto de partida eficiente é identificar o núcleo duro comum entre os cinco editais listados acima. Olhando os blocos de lei seca de cada tribunal, três conjuntos aparecem em todos eles:
- Constituição Federal (arts. 5º, 37 e 92 a 126)
- Código de Processo Civil (tutelas, recursos e execução)
- LOMAN e Resolução CNJ 75/2009 (estrutura dos concursos da magistratura)
Começar por esses três blocos significa que, independentemente de qual edital sair primeiro, você não terá estudado em vão. É o conceito de estudo com aproveitamento transversal: o tempo investido vale para mais de um cargo-alvo ao mesmo tempo.
Para montar um cronograma de leitura que dê conta dessa base sem travar, o artigo sobre como montar um cronograma de leitura da lei seca traz um método por blocos que funciona mesmo para quem tem pouco tempo disponível.
E se você quer uma plataforma que já organizou os artigos por frequência de cobrança nas bancas dos concursos de magistratura, o Decorando a Lei Seca oferece exatamente isso: o conteúdo filtrado pelo que realmente cai, com ferramentas de revisão ativa integradas à rotina.
Perguntas frequentes
O ENAM é obrigatório para todos os novos concursos de magistratura em 2026?
Sim. O ENAM é exigência obrigatória para a magistratura estadual e federal. A certificação tem validade de dois anos (prorrogável por mais dois) e será cobrada por todos os tribunais com concursos em 2026.
Como saber se minha atividade jurídica já está completa para me inscrever?
Os três anos exigidos são contados até a data da inscrição definitiva. O CNJ inclui advocacia, assessoria jurídica e cargos privativos de bacharel em Direito no cômputo dessa atividade.
Qual tribunal de 2026 tem a prova objetiva mais acessível?
Depende da sua base. O TJDFT e TJMG favorecem quem domina Civil e Processo Civil. Já o TJSP e TJBA são melhores para quem tem facilidade em Penal e Processo Penal. Cruze seus pontos fortes com os pesos de cada edital.
Posso me preparar para mais de um tribunal ao mesmo tempo?
Sim, desde que foque primeiro no núcleo comum de matérias. Dominar a base compartilhada evita dispersão. Só depois adicione as disciplinas específicas do edital com prova mais próxima.
As bancas de magistratura exploram mais a literalidade da lei ou a interpretação?
Varia. O Cebraspe mescla literalidade com aplicação prática da norma. Já FGV e Vunesp (tradicionais em TJs) costumam ser mais literais. Treinar questões da banca específica é fundamental para adaptar o raciocínio.
Quando os editais de magistratura de 2026 devem ser publicados exatamente?
TJSP está em andamento (edital 2025). TJMG e TJBA publicaram editais no início de 2026. O TJRS está em fase final de preparação. O TJDFT não tem previsão devido a restrições orçamentárias. O núcleo de cobrança, porém, mantém-se estável.
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