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OAB e cartórios: o segredo da lei seca

Por 14 de maio de 2026maio 26th, 2026Sem comentários15 minutos de leitura

Última Atualização em 26 de maio de 2026

Se você está se preparando para a OAB ou para o Exame Nacional dos Cartórios, provavelmente já ouviu a frase “estude doutrina e jurisprudência”. E de fato elas importam. O problema é que muitos candidatos chegam à prova sem ter fixado o texto literal da lei, e é exatamente aí que as bancas aplicam a faca. Saber o que cai mais em concurso para esses dois exames específicos é o ponto de partida para qualquer estratégia séria de estudo, e a resposta, na maioria das vezes, está nos dispositivos que você achou óbvios demais para decorar.

Este artigo apresenta os cinco blocos legislativos com maior índice de cobrança na primeira fase da OAB e no ENAC, explica por que confiar só na doutrina é uma armadilha real, e propõe um método de estudo ativo que funciona especialmente bem para quem já tem base jurídica mas ainda perde questões de literalidade.

Por que bacharel em Direito erra questões de lei seca

Existe um padrão bem comum entre quem cursou Direito: a pessoa entende os institutos, conhece os fundamentos constitucionais, sabe argumentar. Mas na hora de responder uma questão que pede o prazo exato do artigo 219 do Código Civil ou a redação precisa de um inciso da Lei de Registros Públicos, trava.

O motivo é simples: a graduação em Direito ensina a pensar juridicamente, não a memorizar dispositivos. Isso é bom para a formação intelectual, mas péssimo para provas de primeira fase, onde a banca literalmente copia um artigo, troca uma palavra e pergunta se está certo ou errado.

Imagem com filtro escuro, quase em preto e branco, mas com detalhes em cores seletivas, mostrando um estudante visivelmente exausto e estressado. Ele apoia a cabeça com uma das mãos enquanto segura uma caneta vermelha brilhante com a outra. O rapaz analisa uma prova impressa com o título "DIREITO CONSTITUCIONAL II - EXAME FINAL - 2024", iluminada pelo foco quente e amarelado de uma luminária de mesa clássica. Ele está espremido na mesa entre duas pilhas altíssimas de livros jurídicos pesados. Nas lombadas, leem-se títulos como "Tratado de Direito Penal", "Jurisprudência do STF Comentada" e "Vade Mecum". O fundo mostra as estantes escuras de uma biblioteca.

A FGV, responsável tanto pela OAB quanto pelo ENAC, é conhecida por explorar exatamente essa falha. Dados de edições anteriores mostram que entre 30% e 40% das questões objetivas testam literalidade pura, sem exigir raciocínio interpretativo. São questões ganhas por quem decorou o texto e perdidas por quem apenas “entendeu” o conteúdo.

Para aprofundar esse diagnóstico, vale ler o artigo sobre o peso real da doutrina e jurisprudência na prova da OAB, que detalha a hierarquia correta das fontes nesse exame.

Os 5 blocos que mais caem na OAB e no ENAC

A análise das últimas edições da OAB (exames 2022 a 2024) e das duas primeiras edições do ENAC aponta cinco blocos legislativos com incidência acima da média. Não basta saber que eles “caem”; é preciso conhecer quais artigos dentro de cada bloco as bancas adoram explorar.

1. Código Civil (CC/2002), especialmente obrigações e contratos

O CC é o maior bloco individual da OAB. As questões se concentram nos artigos 104 a 184 (negócio jurídico), nos artigos 421 a 480 (contratos em geral) e nos artigos 927 a 954 (responsabilidade civil). A banca adora cobrar os elementos de validade do negócio jurídico, as modalidades de extinção dos contratos e os critérios de responsabilidade objetiva versus subjetiva, sempre com pequenas alterações no texto original para testar se o candidato realmente leu a lei.

Para cartórios, o foco muda um pouco: os artigos sobre posse, propriedade (1.196 a 1.510) e direitos reais de garantia ganham peso considerável, especialmente os dispositivos sobre hipoteca e alienação fiduciária.

2. Novo Código de Processo Civil (NCPC/2015)

O NCPC é o segundo maior bloco da OAB e aparece com força crescente no ENAC. Na OAB, as questões privilegiam os princípios do art. 1º ao art. 12, os prazos processuais dos arts. 218 a 233, e os procedimentos de tutela provisória (arts. 294 a 310). No ENAC, o foco recai sobre os procedimentos de jurisdição voluntária e os artigos que regulam atos notariais dentro do processo civil, como o art. 784 sobre títulos executivos extrajudiciais.

Um alerta importante: o NCPC reformou conceitos que muitos candidatos ainda associam ao CPC de 1973. Quem aprendeu Direito Processual Civil antes de 2016 precisa verificar, dispositivo por dispositivo, o que mudou. As armadilhas mais comuns estão justamente nos prazos e nas nomenclaturas alteradas.

3. Lei de Registros Públicos (Lei 6.015/1973)

Aqui está o bloco mais subestimado pelos candidatos ao ENAC. A Lei 6.015 responde por uma parcela significativa das questões sobre Direito Registral, e os candidatos que chegam à prova achando que “conhecem bem” o tema frequentemente escorregam nos detalhes dos artigos 167 (atos sujeitos a registro e a averbação) e 195 a 288 (registro de imóveis).

Fotografia em close-up de uma mesa de madeira com foco em um documento oficial impresso. O cabeçalho do documento diz "REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL - CARTÓRIO DO 1º OFÍCIO DE REGISTRO - LEI Nº 6.015". Sobre o papel repousa um carimbo de madeira com base de metal gravada "CARTÓRIO VIEIRA". O documento contém assinaturas de "Carlos M. Vieira - Tabelião" e "Joana A. Santos - Escrevente", além de um carimbo em tinta vermelha datado de "18 OUT 2023", atestando "RECONHECIMENTO DE FIRMA" em Niterói/RJ. Ao fundo, levemente desfocado, há um grosso livro jurídico aberto cheio de marcadores de página coloridos e anotações à caneta, uma caneta preta elegante e uma caneca branca onde se lê a palavra "DIREITO".

A banca costuma cobrar as diferenças entre registro e averbação, os princípios registrais (especialidade, publicidade, fé pública, continuidade) e os prazos para apresentação de títulos. São questões de literalidade pura, sem espaço para interpretação criativa.

Para uma visão mais detalhada sobre como esse tema aparece nas provas, o artigo sobre registro de imóveis no ENAC traz uma análise específica dos princípios fundamentais mais cobrados.

4. Lei dos Serviços Notariais e de Registro (Lei 8.935/1994)

Obrigatória para o ENAC, a Lei 8.935 também aparece na OAB quando o examinador quer testar conhecimentos sobre ética e responsabilidade dos profissionais do foro extrajudicial. Os artigos mais cobrados são os que tratam das atribuições exclusivas de cada tipo de cartório (arts. 6º a 13), das causas de perda da delegação (art. 35 a 39) e da responsabilidade civil do notário e do registrador (art. 22).

O artigo 22 merece atenção especial: ele estabelece responsabilidade pessoal dos notários e registradores pelos danos causados a terceiros, e a banca frequentemente cria questões com variações sutis sobre o nexo de causalidade e a natureza objetiva dessa responsabilidade.

5. Estatuto da OAB (Lei 8.906/1994) e Código de Ética

Para a primeira fase da OAB, Ética Profissional é a disciplina com maior peso relativo por questão. O Estatuto e o Código de Ética da Advocacia são cobrados tanto em literalidade quanto em aplicação, e as questões sobre sigilo profissional (arts. 7º, §3º, e 34, VII), incompatibilidades (arts. 27 a 30) e honorários (arts. 22 a 26) aparecem em praticamente todas as edições.

O diferencial de quem passa na primeira tentativa quase sempre está aqui: conhecer o texto do Estatuto palavra por palavra, especialmente os incisos do art. 7º sobre os direitos do advogado. A banca adora inverter a ordem dos incisos ou alterar uma preposição para criar a armadilha.

O artigo sobre as leis que mais caem na primeira fase da OAB traz um mapeamento mais granular de cada disciplina com o histórico de frequência por edição.

Por que a doutrina não resolve esse problema

Doutrina explica o porquê das regras. Lei seca é o quê exato das regras. A prova de primeira fase testa o quê.

Quando você estuda pela doutrina, aprende que “a responsabilidade do notário é objetiva porque a atividade é de risco”. Certo. Mas quando a questão pergunta qual artigo da Lei 8.935 estabelece essa responsabilidade e em quais situações específicas o Estado responde subsidiariamente, a resposta está no texto legal, não em nenhum manual.

Candidatos formados há mais de dois anos costumam ter outro problema adicional: a memória de conteúdo doutrinário se fragmenta com o tempo, e o que fica é uma compreensão difusa dos institutos, sem a precisão que a prova exige. Isso cria a ilusão de que se sabe mais do que se sabe. É a armadilha clássica do bacharel confiante que reprova por margem estreita.

Método de estudo ativo para quem já tem base jurídica

O problema não é falta de conhecimento, é método de fixação. Quem já tem a base teórica precisa de um processo diferente do iniciante absoluto. Não é o momento de reler manuais, é o momento de confrontar o texto da lei.

Um método que funciona bem para esse perfil tem três camadas:

A primeira é a leitura confrontada. Você lê o artigo da lei e, antes de passar para o próximo, formula mentalmente a versão errada daquele dispositivo. Qual troca de palavra tornaria este artigo falso? Esse exercício treina a atenção justamente para os pontos que as bancas exploram.

Fotografia vista de cima de uma pessoa estudando em uma mesa de madeira clara. A pessoa segura um cartão vermelho com a mão esquerda, onde está escrito à mão em preto: "ERRO: Prazo NCPC - Art. 218. O prazo para recorrer é de 15 dias úteis. (Art. 218 NCPC/2015)". Com a mão direita, ela usa um marca-texto amarelo em um livro jurídico aberto, destacando partes do texto. Abaixo do livro, há um caderno com anotações manuscritas reforçando a regra dos 15 dias. Sobre a mesa também há um celular com a tela apagada, uma caneta preta em um estojo de couro e uma xícara de café preto fumegante apoiada em um porta-copos de cortiça.

A segunda é a resolução de questões por bloco. Em vez de resolver provas completas aleatoriamente, você agrupa questões de um único bloco legislativo e resolve todas antes de passar para o próximo. Isso cria densidade de exposição ao texto daquele bloco e acelera a fixação. O artigo sobre o método de unir lei seca com questões detalha como estruturar essa rotina.

A terceira é a revisão por erro. Cada questão errada vira uma ficha com o artigo exato que gerou o erro e a variação usada pela banca. Ao final de duas semanas, você tem um mapa personalizado das suas fragilidades de literalidade, que vale mais do que qualquer resumo genérico.

Se você está na reta final da OAB, o artigo sobre estratégia para garantir pontos na reta final traz um cronograma de emergência adaptável a esse método.

Como organizar os blocos em uma rotina realista

Para quem trabalha e estuda em paralelo, tentar cobrir todos os cinco blocos ao mesmo tempo é receita para não fixar nenhum. A sequência importa.

Para a OAB, comece pelo Estatuto e Código de Ética, porque o rendimento por hora de estudo é alto: poucos artigos com peso elevado na prova. Em seguida, vá para o Código Civil (negócio jurídico e responsabilidade civil) e depois para o NCPC (tutelas e prazos). Reserve os últimos ciclos para as legislações de menor volume, como o CDC e a Lei de Recuperação Judicial, que aparecem com menos frequência mas são fáceis de pontuar quando estudadas de forma focada.

Para o ENAC, a ordem sugerida pelos dados de incidência é: Lei 8.935, Lei 6.015 (especialmente arts. 167 e 195 a 288), Código Civil (direitos reais) e NCPC (jurisdição voluntária). A legislação tributária e o Direito Digital completam o cronograma e devem receber atenção proporcional ao seu peso no edital.

Decorando a Lei Seca oferece um material organizado por blocos temáticos, com questões comentadas por dispositivo e revisões programadas, pensado para quem precisa cobrir a lei seca de forma sistemática sem garimpar fontes diferentes. Se você quer um ponto de partida estruturado, vale conhecer o que está disponível.

Para montar a sequência com base no seu edital específico, o artigo sobre como montar um cronograma de leitura da lei seca tem um passo a passo aplicável tanto à OAB quanto ao ENAC.

O que os dados de provas anteriores confirmam

Nas últimas cinco edições da OAB (XXXVI a XL), a distribuição de questões por disciplina mostrou que Ética Profissional, Direito Civil e Direito Processual Civil respondem juntas por mais de 45% das questões objetivas. Nenhuma dessas disciplinas exige raciocínio jurídico sofisticado nas questões de primeira fase: a maioria cobra literalidade ou aplicação direta do texto.

No ENAC, os dados das duas primeiras edições (2025.1 e 2025.2) indicam concentração semelhante em Direito Notarial e Registral, Direito Civil e Legislação Específica (Lei 6.015 e Lei 8.935). As questões que mais reprovaram candidatos nas análises pós-prova foram justamente aquelas sobre artigos específicos da Lei 6.015, um bloco que muitos candidatos estudaram por resumos de terceiros sem ler o texto original.

Esse padrão é consistente com o que se observa em outros exames coordenados pela FGV: a banca valoriza precisão textual e penaliza quem sabe “mais ou menos” o que diz a lei.

Perguntas frequentes

FAQ – Primeira Fase da OAB e ENAC

O que cai mais em concurso na primeira fase da OAB?

Ética, Civil e Processo Civil representam cerca de 45% da prova. A cobrança foca na literalidade da lei, especialmente o Estatuto da OAB, negócios jurídicos no Código Civil e tutelas/prazos no CPC.

A doutrina é suficiente para passar na primeira fase da OAB?

Não. A primeira fase testa a literalidade da lei. A doutrina ajuda a entender conceitos, mas não resolve questões que trocam palavras ou invertem incisos. É essencial dominar o texto legal.

Quais leis são mais cobradas no ENAC?

O núcleo é formado pela Lei dos Notários e Registradores (8.935/94), Lei de Registros Públicos (6.015/73) e Código Civil (direitos reais). Foco em responsabilidades, atos de registro/averbação e princípios registrais.

Como estudar a lei seca de forma ativa para OAB e cartórios?

Combine leitura confrontada (imaginar a versão errada do artigo), resolução de questões por bloco legislativo e revisão focada nos erros (fichando o dispositivo exato). Isso garante fixação sem releituras passivas.

Quanto tempo antes da prova começar a estudar lei seca para a OAB?

Com boa base teórica, 4 a 6 semanas de foco em lei seca bastam para cobrir as prioridades e revisar tudo duas vezes. O erro fatal é deixar esse volume para a última semana.

O ENAC é mais difícil do que a primeira fase da OAB?

Têm focos diferentes. A OAB exige amplitude em várias disciplinas. O ENAC cobra profundidade em legislação notarial/registral, área pouco vista na faculdade. Prática em cartório ajuda no ENAC, enquanto base processual favorece na OAB.

Decorando a Lei Seca

Decora é um cérebro simpático e cheio de sabedoria, dedicado a tornar o aprendizado da Lei Seca mais acessível e divertido. Com um método inovador de memorização, ele transforma conceitos complexos em algo simples e criativo, ajudando estudantes a superarem os desafios do mundo dos concursos. Sua jornada como mentor e guia educacional o tornou uma lenda no mundo jurídico, sempre com o objetivo de tornar o estudo mais leve e eficaz para todos.