Última Atualização em 25 de maio de 2026
Prova prática concurso cartório: a fase que elimina quem está despreparado
A prova prática concurso cartório é a etapa que mais assusta os candidatos, e com razão. Diferente da prova objetiva, aqui não existe marcação de alternativas nem margem para chute. Você recebe um caso concreto, precisa redigir um ato notarial ou registral com técnica e precisão, e cada erro compromete diretamente a sua pontuação. Candidatos que chegam a essa fase sem treino específico, mesmo dominando a lei seca, sentem na pele o quanto a execução prática cobra um repertório diferente.
Por isso, este artigo existe. Não para repetir o que o edital já diz, mas para destrinchar o funcionamento real dessa fase: o que é avaliado, como a banca pontua, quais são os erros mais frequentes e o que os candidatos aprovados fizeram de diferente na preparação.
O que é cobrado na prova prática do concurso de cartório
A prova prática do concurso extrajudicial pode variar em formato conforme o Tribunal de Justiça que organiza o certame, mas existe um núcleo comum que aparece em praticamente todos os editais. Em geral, a fase exige que o candidato redija atos notariais ou registrais com base em um caso hipotético apresentado pela banca.
Na prática, isso significa que você pode receber uma situação de compra e venda de imóvel e precisar lavrar a escritura pública com todos os elementos exigidos por lei. Ou receber um pedido de reconhecimento de firma e identificar se o ato é adequado, quais documentos são necessários e qual o procedimento correto. Em alguns editais, a fase inclui a redação de um ato de registro civil, como o registro de nascimento ou a habilitação para casamento.
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- Autenticações e reconhecimentos de firma
- Atos do Registro de Imóveis (matrícula, averbação, cancelamento)
- Registro civil das pessoas naturais (nascimento, casamento, óbito)
- Atos do Registro de Títulos e Documentos
Além da redação técnica, muitos certames cobram também o conhecimento procedimental: qual o prazo para prática do ato, quem tem legitimidade para requerer, quais documentos instruem o pedido e se há possibilidade de recusa pelo tabelião ou registrador.
A diferença entre prova prática e prova dissertativa
Candidatos que já prestaram concursos jurídicos comuns às vezes confundem a fase prática com a dissertativa. São coisas diferentes. A prova dissertativa cobra análise argumentativa, capacidade de estruturar raciocínio e domínio da doutrina. Já a prova prática concurso cartório exige execução: você produz um documento ou resolve um procedimento como se estivesse de fato no balcão da serventia. O examinador quer ver se você sabe fazer, não só se sabe explicar.
Essa distinção muda completamente o método de estudo. Quem treina apenas teoria e não pratica a redação de atos reais costuma chegar à prova com o conhecimento certo, mas sem condição de convertê-lo em produto escrito adequado.
Como a banca avalia e pontua a prova prática
Os critérios de correção variam por estado, mas é possível identificar um padrão entre os editais mais recentes. De modo geral, a banca observa quatro dimensões na correção da prova prática concurso cartório:
Adequação técnica do ato: o documento redigido está juridicamente correto? Contém os elementos essenciais exigidos pelo artigo pertinente da Lei 8.935/94, pela Lei 6.015/73 ou pelo Código de Normas do respectivo estado? A ausência de elemento essencial, como a qualificação completa das partes ou a descrição do objeto do ato, costuma gerar desconto automático de pontos.
Observância do procedimento: o candidato indicou corretamente o caminho procedimental? Isso inclui documentos exigidos, prazos, comunicações obrigatórias ao CNJ ou a outros órgãos, e eventuais vedações ao ato.
Precisão na aplicação da lei seca: a banca verifica se o candidato citou ou aplicou corretamente os dispositivos legais pertinentes. Um ato lavrado com base na lei errada ou com referência equivocada ao artigo perde pontos mesmo que o resultado prático pareça correto.
Redação e clareza: o texto está organizado de forma inteligível? Cartórios produzem documentos públicos que precisam ser compreensíveis para as partes e para outros registradores. Uma escritura mal redigida, com ambiguidade ou estrutura confusa, é avaliada negativamente.
A FGV, banca do ENAC, tende a pontuar com rubrica por item: cada elemento do ato vale uma fração da nota. Assim, mesmo errando um aspecto, você pode salvar boa parte da pontuação se os demais estiverem corretos. Isso é diferente de uma correção holística, em que o erro central contamina tudo. Entender esse sistema permite ao candidato gerir a prova com mais inteligência.
Os erros mais comuns que eliminam candidatos
Observando relatos de candidatos e padrões de provas anteriores, cinco erros aparecem repetidamente na prova prática concurso cartório:
1. Ignorar o Código de Normas estadual. Muitos candidatos estudam apenas as leis federais (Lei 8.935/94 e Lei 6.015/73) e esquecem que cada estado tem seu próprio Código de Normas ou Consolidação Normativa Notarial e Registral. Esse código local pode exigir documentos adicionais, prazos diferentes ou vedações específicas que a lei federal não prevê. A banca cobra a legislação estadual sem aviso.
2. Confundir os tipos de ato. Autenticação não é reconhecimento de firma. Averbação não é registro. Registro de títulos não é registro de imóveis. A confusão terminológica indica falta de domínio do direito notarial e registral como campo autônomo, e a banca penaliza isso.
3. Omitir elementos essenciais da qualificação. Numa escritura pública, por exemplo, a qualificação das partes exige nome completo, estado civil, profissão, RG, CPF, domicílio e, quando aplicável, o regime de bens do casamento. Candidatos apressados omitem itens e perdem os pontos da rubrica correspondente.
4. Não praticar a redação antes da prova. Ler sobre como se lavra uma escritura é diferente de efetivamente escrever uma. A maioria dos candidatos eliminados na fase prática nunca treinou a redação do zero, apenas leu modelos. Por isso, na hora da prova, ficam em branco ou cometem erros estruturais básicos.
5. Subestimar o tempo disponível. A prova prática costuma ter duração de três a quatro horas, o que parece confortável, mas não é. Redigir um ato completo com precisão técnica, rever o texto, checar os elementos da rubrica e ainda gerenciar a ansiedade consome esse tempo mais rápido do que parece. Quem não treinou com cronômetro chega ao fim da prova sem ter concluído.
O que os candidatos aprovados fazem de diferente
Candidatos que passaram na fase prática do concurso extrajudicial compartilham alguns padrões de preparação que vale registrar com atenção.
Primeiro, eles estudam modelos de atos reais, não apenas doutrina. Pegam escrituras de imóveis lavradas em cartórios, atos de registro, certidões e as analisam elemento por elemento. Isso treina o olhar para a estrutura padrão dos documentos e facilita a reprodução em prova.
Segundo, eles praticam a redação com casos hipotéticos. Criam cenários simples (uma compra e venda, um inventário extrajudicial de bens sem litígio) e redigem o ato do zero, sem consultar modelos. Em seguida, comparam com o gabarito ou com modelos de referência. Esse ciclo de produção e correção é o que realmente fixa a estrutura dos atos.
Terceiro, eles dominam o Código de Normas do seu estado antes de entrar na fase prática. Não basta saber a lei federal; é preciso conhecer as particularidades locais. Candidatos aprovados normalmente têm o código estadual mapeado por tema, sabendo de memória onde estão as exigências de cada ato.
Quarto, eles revisam questões de provas anteriores da fase prática. Alguns estados publicam os casos aplicados nas provas anteriores. Mesmo que o caso não se repita, o padrão de exigência da banca fica evidente, e isso orienta o estudo.
Se você quer estruturar essa preparação de forma sistemática, com os dispositivos da lei seca organizados por tema e técnicas de leitura ativa para fixar o que realmente cai, a plataforma Decorando a Lei Seca oferece um método específico para candidatos ao concurso de cartório, com acesso a questões comentadas e planos de revisão adaptados a quem está na reta final. Candidatos que usaram a plataforma antes da fase prática relatam chegar ao ato com os dispositivos da Lei 8.935/94 e da Lei 6.015/73 consolidados, o que reduz erros de fundamentação e acelera a redação na prova.
Para entender melhor como o concurso de cartório funciona como um todo, com as etapas que antecedem a fase prática, vale conferir também o artigo sobre como funciona o concurso de cartório, que cobre a estrutura completa do processo seletivo.
Além disso, para quem ainda precisa passar pelo ENAC antes de disputar as vagas, o artigo sobre os princípios dos serviços notariais e registrais é leitura obrigatória, especialmente para entender a base conceitual que a fase prática pressupõe.
Perguntas frequentes
A prova prática concurso cartório é eliminatória?
Sim. Na maioria dos concursos extrajudiciais estaduais, a fase prática é eliminatória. O candidato que não atingir a nota mínima estabelecida no edital não avança para a etapa seguinte, mesmo que tenha ido bem nas fases anteriores. Consulte o edital específico do seu estado para confirmar o peso e a nota de corte desta fase.
Posso consultar legislação durante a prova prática?
Depende do edital. Alguns certames permitem a consulta a textos de lei sem anotações, enquanto outros são fechados. Essa informação estará no edital do concurso específico. De qualquer forma, mesmo quando a consulta é permitida, candidatos que dependem dela para escrever os atos costumam perder tempo precioso. O ideal é dominar os dispositivos principais de memória.
Qual a diferença entre a fase prática do concurso de cartório e a prova oral?
São fases diferentes, com formatos distintos. A prova oral avalia o conhecimento jurídico por meio de arguição oral perante uma banca examinadora, testando raciocínio, argumentação e domínio técnico. Já a prova prática concurso cartório exige a produção escrita de um ato real ou simulado. Algumas unidades federativas aplicam as duas fases; outras adotam apenas uma delas. Veja o artigo sobre prova oral em concursos para entender como se preparar para essa outra etapa.
Quantas horas devo dedicar ao treino da prova prática?
Não existe um número fixo, mas candidatos aprovados relatam ter praticado a redação de atos pelo menos três vezes por semana nas últimas quatro semanas antes da fase prática. O volume importa menos do que a regularidade: redigir um ato completo do zero, corrigir e refazer é mais eficiente do que ler muitos modelos sem praticar a produção.
O Código de Normas do estado cai na prova prática?
Quase sempre. As bancas estaduais cobram não apenas as leis federais, mas também as normas locais que regulam os procedimentos notariais e registrais em cada estado. Por isso, o Código de Normas do Tribunal de Justiça onde você prestará o concurso é material de estudo obrigatório, especialmente para a fase prática.
É possível se preparar para a prova prática sem ter experiência em cartório?
Sim. A maioria dos candidatos aprovados nunca trabalhou em cartório antes de prestar o concurso. O que faz diferença é o treino técnico da redação de atos, o domínio da lei seca específica (Lei 8.935/94 e Lei 6.015/73) e o conhecimento do Código de Normas estadual. Esses três pilares podem ser construídos com estudo estruturado, mesmo sem experiência prática prévia na serventia.
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